terça-feira, 3 de novembro de 2009

Atividades do PNS em Novembro


Salve salve, Gente boa gente! Bem, o ano já está terminando. Estamos já no mês de novembro, mês da Consciência Negra e no qual nós do PROJETO NOSSO SAMBA encerramos as atividades do ano na Casa de Angola. São dois os encontros restantes. São mais duas Rodas que acontecem nos dias 8: próximo domingo e 22: quando ocorre a última Roda cujo tema é a Consciência Negra.

Na ocasião será encenada a peça PERIFERIA pelo Grupo Teatral Crianças do Morro, coordenado por Adriana Aparecida de Souza (Drika). A Peça diz a respeito do cotidiano das periferias, com suas violências (fisicas, psicológicas e morais), com cenas criadas a partir de pesquisas e depoimentos dos participantes; assim como seus desejos para uma sociedade não violenta, e sua luta em prol da paz. Trata-se da realidade vivida pela população de baixa renda.

Haverá ainda apresentação do PROJETO NOSSO SAMBA na Ação educativa no dia 14 de novembro. A partir da 16h00 será exibido o documentário SAMBA NO TERREIRO, DEZ ANOS DE HISTÓRIA de Regyna Santos. O filme versa sobre a história do PNS por meio de depoimentos de seus integrantes. Após o documentário os tambores irão ecoar com a nossa tradicional Roda de Samba.

Bem, é isso... Contamos com sua presença!

Em nome de todos(as) do PNS,

Abraços e saudações sambísticas!

Selito SD.

AGENDA PROJETO NOSSO SAMBA 2009

Família PNS na Celebração de seus 10 anos

Salve gente boa gente do samba e ou simpatizante!

Disponibilizamos abaixo nosso calendário 2009 com os domingos de encontros do PROJETO NOSSO SAMBA e a tradicional Roda de Samba, sempre na Casa de Cultura Afro-Brasileira CASA DE ANGOLA, a partir das 16h00. Atente que a data do próximo encontro estará, sempre na cor vermelha, certo? Aguardamos a sua presença.

Um forte abraço e...


SAUDAÇÕES SAMBÍSTICAS!

No ano de 2009 nossas Rodas acontecerão em:

FEVEREIRO (Retorno das atividades): Dia 15
(Obs: 24.02.09, terça-feira de carnaval)

MARÇO: Dias 01, 15 e 29
.
ABRIL: Dias 05 (Almoço) e 26
(Obs: 10.04.09, sexta-feira da Paixão e 21, terça-feira, dia de Tiradentes)

MAIO: Dias 10, 17 e 31
(Obs: 1º.05.09, sexta-feira, Dia do trabalhador, e 10.05.09, domingo, é dia das Mães)

JUNHO: Dias 07 e 21
(Obs: 11.06.09 quinta-feira, Corpus Christi)

JULHO: Dias 05 e 19

AGOSTO: Dias 02 (celebração do dia da Capoeira a partir das 14h), 16 (Almoço) e 30

SETEMBRO: Dia 13
(Obs: 07.09.09 segunda-feira, dia da Independência do Brasil)

OUTUBRO: Dias 04 (Festa do 11º Aniversário do PNS) e 18
(Obs: 12.10.09 segunda-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida)

NOVEMBRO: Dias 08 e 22
(Obs: 02.11.09 segunda-feira, dia de Finados; 15.11.09, domingo, Proclamação da República e; 20.11.09, Consciência Negral)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Projeto Nosso Samba - Especial 11anos

Movimento Cultural

PROJETO NOSSO SAMBA

Caderno especial – 11 anos

Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA na CASA DE ANGOLA

Osasco - SP - Brasil

http://www.projetonossosamba.org/

Outubro de 2009



APRESENTAÇÃO

Salve, salve, Gente boa gente do samba e simpatizantes!

Estamos celebrando os 11 anos de vida, de história, de luta do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco. Estamos, pois na pré-adolescência, etapa importante da vida, do processo de autoconstrução de nosso grupo comunitário. Após os dez anos e cumpridas uma série de etapas projetadas e efetivadas, vivemos um momento de profunda reflexão, no sentido de buscar a partir de debates, discussões entre nossos convivas, idéias novas e ou renovadas geradoras de novos projetos a serem encampados na seqüência do processo de transformação do mundo em que vivemos... transformação que deve acontecer, primeiramente, dentro de cada um de nós para que posteriormente possa então de modo efetivo e consistente ser aplicada às coisas do mundo externo a nós outros.

Bem... Após este breve preâmbulo pseudo-filosófico vou de vez ao que interessa que é apresentar-lhes nosso Caderno Especial do 11º Aniversário, para o qual adotamos como tema os ritmos brasileiros. A bem da verdade, alguns dos ritmos brasileiros, da ancestralidade do samba à variantes deste, a saber: jongo, coco, samba de roda, maxixe, ijexá, samba de bumbo, calango, samba de breque, samba enredo, samba exaltação, samba de partido alto e samba de terreiro. A idéia é brincar informando, mostrando, de modo didático e descontraído a riqueza do legado cultural afro-brasileiro.

Compõem esta edição, revisada por Lu Santos e Fábio Goulart, os textos de: Fábio Goulart que versa sobre o espírito reinante nesse processo que é o Projeto Nosso Samba; Américo Frigo que descreve sobre seu encontro com o Projeto Nosso Samba e sua impressão primeira da comunidade; Thiago Mendonça apresenta seu documentário sobre o bairro de Santa Ifigênia que passa pelo processo de destruição de sua história ligada aos socialmente desvalidos, em favor, mais uma vez, dos abastados; Francisco Crozera que discorre sobre o samba e suas origens; e um apanhado de outros breves textos versando sobre ritmos selecionados e colhidos por Izabel Borges. Há uma série interessante de fotos e imagens que foram colhidas na internet, algumas e outras são de arquivo do PNS. Algumas foram cedidas por Thiago Mendonça e a maior parte delas é de autoria de Regyna Santos.

Os textos sobre os ritmos estão acompanhados, quase todos, de músicas que serão interpretadas por nossa tradicional Roda de Samba, a maior parte, composições de autores do Projeto Nosso Samba, mas não só, algumas composições consagradas por baluartes de nossa cultura também aqui constam e serão entoadas em nossa kizomba.

Para finalizar, todos(as) são bem-vindos(as) ao nosso Terreiro e estão convidados(as) a partilhar conosco da vital energia que paira sobre este chão. Sintam-se acolhidos(as) e abraçados(as)!

Saudações Sambísticas!!!

Selito SD


Índice (acesse os demais textos pelos links abaixo)

ESTE É O NOSSO CHÃO

GOIABADA CASCÃO EM CAIXA

SANTA IFIGÊNIA E SEUS PECADOS

SAMBA E SUAS ORIGENS


JONGO

COCO (DANÇA)

SAMBA DE RODA

MAXIXE

IJEXÁ

SAMBA DE BUMBO

CALANGO

SAMBA DE BREQUE

SAMBA-ENREDO

SAMBA EXALTAÇÃO

SAMBA DE PARTIDO-ALTO

SAMBAS DO TERREIRO

SAMBAS DE TERREIRO

Samba sem compromisso com enredo, que os compositores de escola de samba produzem para animar os ensaios e outras festas de suas comunidades. Outrora eram típicos sambas de meio de ano. Depois, alguns se tornaram sucessos carnavalescos.

Fonte: Lopes, Nei. Sambeabá – O samba não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.


DEU SAMBA
(Fábio Goulart, Caio Prado e Selito SD)

Tudo o que o povo vive acaba em samba
O cotidiano, a vitória, a derrota, o amor
Se o time do peito perdeu
Se a escola de samba ganhou
Depende da caneta do compositor

A mulata faceira mexendo as cadeiras
Deu samba!
E aquela chacina, aquela propina
Deu samba!
E aquele sorriso inocente
Que mesmo sem dente brincou o carnaval
Deu samba! Deu samba! Deu samba!

A alta do dólar, a falta de escola
Deu samba!
Moleque na rua pedindo esmola
Deu samba!
E aquela menina que veio do norte
Porém não deu sorte, ficou na esquina
Deu samba!, Deu samba !, Deu samba !


MARÉ BRAVA
(Ari Empolgação)

Recolhi a rede que a maré não tá pra peixe

Temporal se armou dentro do meu barracão


A porta do fundo fechada
Na da frente meu amor
Vigiando os meus passos
pra saber aonde vou

Mágoas passadas só regam espinhos
Coração não é moradia de rancor
Lavou meu terno em plena Sexta-feira
Meu sapato também encharcou

E madrugada
Tens inimiga residindo em meu lar
Se hoje eu não vou ao meu encontro
Amanhã você pode esperar



Aqui inserimos um samba do Terreiro, não necessariamente um samba de terreiro, uma das mais novas criações da Comunidade PNS.

Deixa Estar

(Chico Crozera)

Deixa estar, vê se esquece
Se fortalece pra amanhã poder lutar
E deixa entrar a dor no peito
Adormece em lamento pra amanhã poder cantar
E aprender com o amor desfeito
Enfrentando o tormento que a solidão nos traz

A vida tem suas desventuras
Pra quem se atreve a tentar
Fazer tudo aquilo que ama
Amando sem medo de amar
É melhor uma desilusão
Do que não poder sonhar
Quem se fere por sua coragem
Não derrama um pranto vulgar
Esse jogo ainda não terminou
Amanhã tudo pode mudar
E essa dor, deixa estar

SAMBA DE PARTIDO-ALTO

Tempos atrás, modalidade de samba instrumental (e ocasionalmente vocal) constante de uma parte solada, chamada chula, e de um refrão. Modernamente, espécie de samba cantado em forma de desafio por dois ou mais solistas e que se compões de uma parte coral (refrão ou primeira) e uma parte solada com versos improvisados ou do repertório tradicional, os quais podem ou não se referir ao assunto do refrão. Grandes cultores do partido-alto foram Clementina de Jesus, Aniceto do Império, Geraldo Babão, Candeia, Padeirinho, e são, ainda hoje, Xangô da Mangueira, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Cláudio Camunguelo e Dudu Nobre, entre outros. Nesse contexto, Martinho da Vila se afigura como o criador de um samba partido-alto (mas não improvisado), que seria avassaladoramente consumido por alguns anos mais a partir de 1967. E nos anos 1980, o chamado pagode trouxe de volta à cena essa modalidade tão difícil quanto apreciada pelos cultores do Samba.

Fonte: Lopes, Nei. Sambeabá – O samba não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.


NÃO SABE, NÃO BRINCA!
(Fábio Goulart e Selito SD)

Sou mais o samba, sou brasileiro.
Eu sou da terra do Batuque Feiticeiro,
Terra de Umbanda, Candomblé e capoeira,
Cai pra roda "Camará"
Quem não é de brincadeira

Na roda firma o seu cavalo
Não brinca, pois é de bom tom respeitar
Tem preceito e fundamento
Então toma tento ou vai se machucar

Porém vacilou "vai pra roça",
Pode ter certeza que será "limado",
Pra não ficar de bobeira
Batendo cabeça pro santo errado

Sou mais o samba, sou brasileiro...

Na batucada de bamba,
No toque do candomblé,
O batuque tem segredo
No terreiro traz axé.

Mas a batucada, o toque e o batuque
Ritos brasileiros, sagrados
Não podem levar seu axé
A quem bate cabeça pra santo importado

Sou mais o samba, sou brasileiro...

Cai pro samba de roda
Mostra a sua ginga e habilidade
Na batida do pandeiro
Quem pede licença tem prioridade

Mesmo pedindo licença
Não force a presença se não for chamado
Ou vai ter que tomar “bença”
Se bancar o “prego” vai ser “martelado”


MARDITA CANINHA
(Fábio Goulart e Selito SD)

Traga um prato de tremoço
Quero um trago da marvada
Daquela cachaça que veio do norte
Com um caranguejo dentro
Só uma talagada que a danada é forte
Se eu tomar demais me arrebento

Só o cheiro da marvada
Espanta mosquito, levanta defunto
Quem fala demais até perde o assunto
Faz a goela arrepiar

Oh, butequeiro
Quem bebe ligeiro é que tomba primeiro
Cuidado com dose, não quero overdose
Hoje não há mágoa que eu queira afogar

Traga um prato de tremoço...

Amarelinha
Toda perfumosa, êta danadinha!
Êta cana cheirosa, “mardita” caninha
Que de mim não quer largar

Se diz “seleta”
Se diz “boazinha”, é pura “sedução”
Causa muita mágoa e pra muita gente
Essa moça ardente é “desilusão”

SAMBA EXALTAÇÃO

Samba de caráter pomposo e grandioso, com letra patriótico-ufanista e com arranjo orquestral pomposo. O protótipo do gênero é Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, gravado pela primeira vez na voz de Francisco Alves. No auge do Estado Novo, esses sambas eram, em geral, feitos sob inspiração do órgão de propaganda do governo e lançados no teatro de revista, para exaltar as virtudes da terra e do povo brasileiro. Os grandes autores do gênero foram, além de Ary Barroso, os compositores e letristas Vicente Paiva, Alcyr Pires Vermelho, Chianca Garcia, Luís Peixoto e David Nasser, entre outros.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Lopes, Nei. Sambeabá – O samba não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.


Grito Portelense
(Sandro Siano)

Os refletores da avenida se acenderam
Quando ouviram o ecoar do som.
Era a batida de um surdo com pandeiro
E havia uma cuíca na marcação.

Mais tarde chegou uma voz dizendo:
Eu trouxe as pastorinhas e os pastores
Para mostrar o que estamos fazendo.

Não resistindo a platéia levantou,
E um grito forte da garganta então soltou:

É a Portela, com seu azul e branco,

Veio coberta com seu manto
Representar o carnaval


Coração em Verde e Branco
(Selito SD)

Seu verde e branco tingiu o meu coração
Que inflou-se tanto que quase me estoura o peito.
Um forte tranco que fêz me pegar de jeito
E aos quatro cantos propagar com devoção

Seu grito, canto de fé, sua tradição
Batuque banto com o qual danço e me deleito
Seus lindos manto e pavilhão impõem respeito
E que orgulho é ver a sua evolução!

Estes meus versos seus lhe exaltam a história
Que forjada na luta intensa e profunda
É sim, a marca dos que não vivem de brisa

E a sua velha guarda lhe guarda a memória
E vai cantando em glórias a barra funda
E é só por isso que eu visto essa camisa...

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, também chamada de samba de enredo, é um sub-gênero do Samba moderno, surgido no Rio de Janeiro na década de 1930, feito especificamente para o desfile de uma escola de samba.

Modalidade de samba que consiste em letra e música criadas a partir do resumo do tema escolhido como enredo da escola de samba.
Considera-se como primeiro samba-enredo, um samba da Unidos da Tijuca cantado no desfile de 1933, embora haja controvérsias sobre o assunto.

Até 1947 as escolas de samba cantavam durante o desfile, dois ou três sambas que não faziam alusão ao enredo. Composto de um refrão pronto anteriormente e, durante o desfile, eram feitas improvisações. Em 1946, a instituição que, à época, organizava os desfiles das escolas de samba, proibiu a improvisação, exigindo que todas usassem o samba-enredo, que já havia surgido, sendo cantado eventualmente por algumas escolas.

Ficou famoso neste ano o caso da escola de samba Prazer da Serrinha, que ensaiou o samba-enredo "Conferência de São Francisco" (de autoria de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola), mas no momento do desfile acabou por apresentar um samba de terreiro, o que levou a escola a uma má colocação e precipitou o surgimento da dissidência Império Serrano, no mesmo ano.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Lopes, Nei. Sambeabá – O samba não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.


COLORADO DO BRÁS
Catopê do Milho Verde de escravo a Rei da Festa
(Rona Gonzaguinha/ Xixa/ Dom Marcos/ Edinho/ Minho)

Quilombo espalhou suas raízes
E fez sua semente germinar
Em ricas terras mineiras
Do milho verde vem o canto pelo ar

Grupos de negros legendários
Catopés tradicionais
Fazem do festejo do Rosário
Cenários dos nossos ancestrais

É bambaquerê que faz o corpo remexer
É bambabalá que sacode pra lá e pra cá
É arruda e guiné espantando todo mau olhar

Em forma de quilombo na avenida
Colorado se agita no desfile principal

E vem, vem mostrar ao mundo inteiro
Que o negro brasileiro
Canta e livre faz seu carnaval

Cantando amor eu vou, porque feliz estou
É que a felicidade não tem cor.

É manhã de paz
Que abraça e faz as peles mais unidas
Que beleza, não criou raças
Deus apenas criou vidas


NENÊ DA VILA MATILDE
Palmares, raiz da liberdade
(Armando da Mangueira - Jangada)

Olha o tombo
É samba de conga e tem dendê
Chegou novo quilombo
E o seu nome é Nenê

Oiá princesa, Zumbi oiá
A nobreza de Palmares...
Viemos exaltar

É claridade...
Brilha a raíz da liberdade

Zumbi lutou...
Até que a morte o libertou
E uma nova aurora conquistou

Ôôô, se ouvia um feroz clamor...
Ôôô, se cuida branco
Que o negro não tem senhor

Do terrível horror do cativeiro
Ao explendor
Palmares um quilombo pioneiro
Superou a dor
O negro soube se unir
Ao índio e ao branco pobre
Eram três raças a sorrir
Era um Brasil mais nobre

SAMBA DE BREQUE

Samba de caráter humorístico, sincopado, com paradas repentinas, nas quais o cantor introduz comentários falados, referentes ao tema que está sendo cantado. A palavra breque vem do inglês break (ruptura, interrupção, e designa também, em algumas regiões, o freio do automóvel). O gênero, ao que consta, teria sido criado em 1936 por Moreira da Silva, numa interpretação de Jogo Proibido, de Tancredo Silva. E o nome de Moreira está, até hoje, indissoluvelmente ligado ao samba de breque, só encontrando paralelo nas interpretações de Jorge Veiga. Quase sambas de breque são os sincopados Minha Palhoça (J. Cascata, 1935) e seu gêmeo Risoleta (Raul Marques e Moacir Bernadino, 1937). Autores importantes do gênero foram também: Cícero Nunes, Sebastião Fonseca, Ribeiro Cunha (letrista do clássico Na Subida do Morro e de vários exemplares do gênero, falecido em 1991, aos noventa anos de idades), Zé da Zilda e, mais recentemente, Miguel Gustavo, entre outros. Nos anos 1970 e 1980, o cantor e compositor João Nogueira gravou alguns sambas de breque. E, em 1999, no CD Sincopando o Breque, o autor desse livro revisitou o estilo.

Fonte: Lopes, Nei. Sambeabá – O samba não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.


ORKUT DA VALDETE
(Fábio Goulart e Ninão)

Tome cuidado José,
Sua atitude está sendo manjada,
Até a dona encrenca já anda invocada
E está trabalhando em sua intenção
(preste atenção cidadão)

Seu Zé, outrora sua vida era um sufoco,
Por causa de um torresmo
Você perde um porco,
E ainda descola uma confusão
(se liga ai vacilão).

Você andava na pior
Até que a dona encrenca lh’estendeu a mão
Dando-lhe casa, comida e colchão
E hoje tem a vida que pediu a Deus
(dizia a todos que era ateu)

Depois, que se meteu com a tal Internet
E conheceu uma tal de Valdete
Já esqueceu de tudo que você viveu.
É que o orkut da Valdete
É bem conhecido pelos internéticos
Que amigos ficaram perplexos
Ao saber da sua disposição
E me mandaram lhe avisar
Que ela tem três pernas e uma levanta,
Tome cuidado que essa coca é fanta
E vai lhe ocasionar uma decepção
(Isso ai vai dar merda).


GAFIEIRA DO SOM DE CRISTAL
(Paulo Pontes)



Fotocomposição – SSD
Fonte: www.restaurantecolherdepau.com.br/bonde35sb.jpg

O trinta e cinco vinha da praça do correio
Trazendo a nega ao encontro do Benedito
Corria o trecho da av. S. João
Ele passava ali na lapa, na estação

Com um terno branco e um cravo na lapela
Chapéu de palha e um pisante bicolor
E no detalhe uma camisa de voal
Todo elegante, bem vestido coisa e tal

E o casal pegava o bonde novamente
E regressava para o centro da cidade
O endereço era a rua Rego Freitas
Na gafieira do salão som de cristal

E Benedito com sua nega eram destaque
Os dois brilhavam
Mais que as luzes do salão
Era perfeito o sincronismo e o gingado
Que até da orquestra
Eles chamavam a atenção

CALANGO

Segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, trata-se de Dança típica do norte de Minas Gerais e também do Rio de Janeiro. É dançada por pares e com passos muitos simples em ritmo 2/4. No calango cantado temos o improviso do solista e repetição do refrão por parte do coro. Também aparece na forma de desafio entre dois cantadores. O instrumento tradicional de acompanhamento é a sanfona de oito baixos. Um de seus principais divulgadores na virada do século XX para o século XXI é Téo Azevedo, mineiro conhecido como o cantador de Alto Belo, que em 2000 lançou o CD "Forró, calango e blues", onde aparecem as composições "Calango do pé de bode", "Calango fandango" e "Cutuca no calango", todos de sua autoria.

De acordo com o apurado na página eletrônica: http://www.folclore.adm.br/dancas.html, trata-se de variante do fandango, é dança popular em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Minas, o fandango se "amineirou e se transformou no calango, uma dança em ritmo quaternário, comum na região de Montes Claros (MG). " O fandango, nasceu dança vigorosa de tropeiros que o aprenderam no extremo sul do país, com seus colegas uruguaios. Sofreu modificações nas diversas regiões onde chegou e ainda é cultivado em alguns núcleos por todo o país, como no litoral paranaense. Resultante da mistura da música dos brancos da roça com a dos negros escravos, o calango firmou-se especialmente no Rio de Janeiro rural e em Minas Gerais. Martinho da Vila, fluminense de Duas Barras, compôs e gravou alguns bons calangos, puxados na viola e com instrumentos percussivos.


COITÉ E CUIA
(Wilson Moreira e Nei Lopes)

Na coité bebi cachaça
De cana caiana, purinha
Comendo com a mão na cuia
Pirão no molho e farinha

Coité foi cuia que é a metade da cabaça
Quando tomo umas cachaça
Como quase um murundu
Fico danado pra comer pirão no molho
Carne-seca com repolho
Desfiada com tutu

Na coité bebi cachaça
De cana caiana, purinha
Comendo com a mão na cuia
Pirão no molho e farinha

Coité da boa para ser coité de fato
Tem que se cortar no mato
Pra depois deixar secar
Pra fazer cuia também tem que ter ciência
Quem não tiver competência
Não vai ter bom paladar

Na coité bebi cachaça
De cana caiana, purinha
Comendo com a mão na cuia
Pirão no molho e farinha

Couve à mineira pede tutu com torresmo
Mas tutu pra ser bom mesmo
Tem que se comer com a mão
Com a mão na cuia e a coité molhando a boca
Pode ter farinha pouca que primeiro é meu pirão

SAMBA DE BUMBO

De acordo com o apurado na página eletrônica: www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/, há duas variantes do samba tradicional em São Paulo, considerados como os ancestrais do samba cosmopolita. Guardam traços que os aproximam do jongo e do batuque, seus parentes próximos e por muitos considerados como seus antecessores. O de Bumbo, tem como foco de aglutinação a Festa do Bom Jesus, em Pirapora. O Lenço, a devoção familiar do grupo a São Benedito. Letras e melodias singelas e funcionais, algumas tradicionais, outras estruturadas de acordo com as circunstâncias. Ocorrência: Campinas, Pirapora, Santana do Parnaíba, etc.


Samba paulista: do bumbo à latinha de graxa

(Michell Niero)

Samba rural, samba de bumbo, samba de lenço, jongo, samba de umbigada, samba campineiro, pernada, tiririca, batuque, tambu, Samba de Pirapora. É difícil saber até onde estes termos designam uma unidade ou uma diversidade. Improvável também é designar uma maternidade ou paternidade. Foi uma somatória de influências: questões econômicas, políticas, religiosas e imigratórias. Todas elas responsáveis pela levada diferente do samba criado em São Paulo.

A importação de escravos do nordeste brasileiro para trabalhar nas lavouras de café no século XVIII, por exemplo, é vista como fundamental para o nascimento de um samba paulista. Foi desta migração que provavelmente vieram também as tradições originárias de Angola, como a umbigada ao som de tambores, que tinha como propósito homenagear a deusa da fertilidade.

Estima-se que 73% dos africanos que vieram ao Brasil são originários do que hoje é Angola, país da costa atlântica da África. Trazido pelos angolanos, o jongo e a umbigada (samba, em linguagem quimbundo) foram essenciais e trouxeram um tempero polêmico. Eram rituais de cunho religioso, fundados no ritmo e que, sobretudo na umbigada, carregavam uma estética sensual e ‘’imoral’’, na visão dos brancos europeus católicos

Um dos primeiros estudiosos dedicados ao samba paulista foi o escritor Mario de Andrade. Ele, nos anos 30, publicou o artigo ‘’O samba rural paulista’’ e de certa forma trouxe à tona uma necessidade: conhecer melhor as origens daqueles ritos animados, cercados por gente feliz e que eram vistos com grandes reservas pelos fazendeiros e pela igreja católica. Abaixo, algumas impressões do autor de Macunaíma:

“Na terminologia dos negros que observei, a palavra samba tanto designa todas as danças da noite como cada uma delas em particular. Tanto se diz ‘ontem o samba esteve melhor’ como ‘agora sou eu que tiro o samba’. A palavra ainda designa o grupo associado pra dançar sambas. ‘O dono-do-samba de São Paulo me falou que este ano o samba de Campinas não vem’’. E outros acrescentaram que ‘a qualquer momento devia chegar a Pirapora o samba de Sorocaba’. Em 1933 os negros falavam indiferentemente samba ou batuque”.

Foi neste artigo que Mário de Andrade cunhou o termo Samba Rural. Na avaliação dele, as características desta manifestação rítmica tinham relações evidentes com o ambiente criado pelas fazendas, na vinda forçada de escravos africanos, cheios de rituais, para lida nas lavouras de cana de açúcar e café em São Paulo.



Fonte: http://opatifundio.com/site/?tag=samba-de-bumbo



BLOCO DO CHORA GALO
(Toniquinho Batuqueiro)

Vem raiando o dia, vem raiando o dia
Galo cantou porque chegou a hora
Vem pra Avenida ver meu galo como chora

Galo quando canta é dia de alegria
Vamos embora...

Chora galo, cantando chora
Eu nesse embalo
Vou até o romper da aurora



Dona Clívia e Tonquinho Batuqueiro

D. CLÍVIA
(Fábio, Selito, Neto e Marcelo Benedito)

Quem transforma a tristeza em alegria?
Quem anima o mais duro coração?
Seu sorriso modifica o nosso dia,
E dançando aflora nossa emoção.

Quando a viola tocar
Dona Clívia cai no samba.

E balança pro lado de lá
E balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá
E balança pro lado de lá.

Firma o batuque que a mineira tá na roda.
Eta negra com história, e vitórias pra contar.
Quando criança conheceu a batucada
Rastou pé, ficou invocada
E danou a saracotear.

E balança pro lado de lá...

Quando a viola tocar
Dona Clívia cai no samba.

E balança pro lado de lá...
Quem já provou do feijão dessa Guerreira
Iabacê de primeira, nunca mais vai esquecer.
Ora Yê Yê Ô, Kaô Kabecilê
Capricha no amalá, no omolucum e no ipeté

E balança pro lado de lá...

Quando a viola tocar
Dona Clívia cai no samba.

E balança pro lado de lá...

Negra magia emana da Preta Velha
Que abençoa e aconselha
Todos em nosso Terreiro
Quanta energia, quanta graça ela alcança
Quando se entrega pra dança
De inteir'alma e corpo inteiro

E balança pro lado de lá...

Quando a viola tocar
Dona Clívia cai no samba.

E balança pro lado de lá...